 Camille
Claudel nasceu em 8 de dezembro de 1864 na pequena
cidade de Aisne chamada Fères-en-Tardenois
e cresceu na aldeia de Villeneuve-sur-Fère,
território de Champagne, ambos na França.
Seus pais, Louis-Prosper Claudel
e Louise-Athanaïse Claudel, tiveram quatro
filhos, mas somente três sobreviveram, duas
mulheres e um homem. A irmã mais nova,
Louise, era a preferida dos pais. Camille, já
com veia artística, criou com o irmão
Paul uma cumplicidade. Paul, quatro anos mais
jovem viria a ser no futuro poeta e dramaturgo.
Seu pai, maravilhado com o precoce
talento de Camille que, ainda criança,
produziu esculturas de ossos e esqueletos com
impressionante verossimilhança, oferta-lhe
todos os meios de desenvolver suas potencialidades.
Sua mãe, por outro lado, não vê
com bons olhos, colocando-se sempre contra a todo
aquele empreendimento, reagindo muitas vezes violentamente
no sentido de reprovar a filha que traz incômodos
e custos excessivos para a manutenção
de seu “capricho”.
A vida da inigualável
Camille Claudel foi sempre palco de especulações
no final do século XIX e a razão
disso se deveu à sua relação
amorosa com seu professor, mentor intelectual
e amante - o também inigualável
escultor do século XIX Auguste Rodin. Esse
relacionamento tremendamente tumultuado virou
nas mãos de um dos gênios da literatura,
Henrik Ibsen, a peça "When The Dead
Awaken". O drama pessoal entre Camille Claudel
e Rodin serviu, também, para ofuscar o
brilho de Camille como artista.
Dotada de enorme talento que
pode ser claramente visto em seu trabalho, desde
jovem Camile demonstrava maestria na utilização
do barro e o fazia com destemido instinto. Ela
preferia a sensação de tocar o material
à de desenhar. Quando a familia de Camille
mudou-se do bairro onde moravam para o bairro
"Nogent-sur-Seine" passaram a ser praticamente
vizinhos de Alfred Boucher, importante escultor
do século XIX. O pai de Camille levou seus
trabalhos para a apreciação de Boucher
que, impressionado com o talento da jovem, levou
esses trabalhos para a apreciação
de outro famoso escultor Paul Dubois. Após
a aprovação desses dois gênios
da escultura foi fácil para Camille entrar
para a "Académie Colarossi" uma
das raras academias abertas também para
mulheres.
Em seguida, juntou-se a um grupo
de três outras escultoras e começaram
a ter aulas informais com Boucher que visitava
o estúdio das "moças"
uma vez por semana. Quando em 1883 Boucher mudou-se
para a Itália, Rodin assumiu a responsabilidade
perante os estudantes de Boucher. O deslumbramento
pelo enorme e precoce talento da artista e os
encontros sucessivos entre Rodin,43 anos e Camille,
19 anos, levou-os a uma relação
que durou quinze anos, relacionamento que influenciou
toda a técnica utilizada por Camille em
seus trabalhos até então. Naquela
época, a talentosa Camille tentou existir
num mundo que ainda não era feito para
mulheres.
O período em que ela ficou no estudio de
Rodin como sua assistente foi considerado o mais
produtivo da vida do famoso escultor e para Camille,
a pior fase para a sua afirmação
como escultora, independente dele. Sua vida e
seu trabalho ficaram, sem dúvida, ligados
ao gênio Rodin o que virou uma trágica
história de criação, amor
e loucura. Para Rodin Camille foi modelo, assistente,
amante e rival. O domínio da juventude
e beleza de Camille sobre Rodin levou-o a prometer-lhe
casamento em 1884.
Quando Camille esculpiu o busto de Rodin ela o
fez rude e forte. Rodin, modelava Camille raramente
como uma vencedora (escultura A França).
A obra mais famosa de Camille, A Valsa,
marca o coroamento da relação de
ambos e da sua realização como escultora.
Na época em que foi influenciada pela arte
japonesa Camille esculpiu em mármore e
ônix, As bisbilhoteiras. Quando Camille,
em 1884, assistiu Rodin em Calais seu trabalho
sofreu significativas alterações.
Suas esculturas iniciais refletiam explendorosa
tradição da Academia Francesa em
especial na leveza e nas formas das faces, como
em sua escultura "Giganti", de 1885,
que demonstra uma superfície natural que
utiliza os reflexos da luz para distinguir os
diversos planos da face. Em seu trabalho "Young
Girl with a Sheaf" que poderia ser traduzido
como "Uma jovem com um feixe de trigo"
Camille mostra uma jovem debruçada sobre
um feixe de trigo e utiliza sua técnica
particular para mostrar a dócil e lisa
face da jovem contraposta com a textura de um
fundo rude ou grotesco.
A vida de Camille foi marcada
por paixão, sofrimento e revolta.
O romance com Rodin terminou em 1898, mas Camille
continuou a esculpir. Longe dele começou
a ter problemas financeiros e a demonstrar sinais
de disturbios mentais. Em 1906, ela destroi grande
parte de seu próprio trabalho sendo internada
em um hospital para doentes mentais. Do hospital
Camille mantinha correspondência com sua
familia e seus amigos. Nessas correspondências,
às vezes, Camille pedia à sua mãe
que lhe mandasse alguns itens como chá,
açúcar em cubinhos e, repetindo
as palavras da própria Camille, "...café
brasileiro porque é de excelente qualidade...".
Com seu irmão Paul, a intensidade das cartas
chegou ao nível do emocionante. Paul, em
seus escritos sobre a irmã, descreve o
trabalho da artista:
"Da mesma forma que um homem, no campo,
se serve de uma árvore ou de um rochedo
ao qual seus olhos se prendem, a fim de acompanhá-lo
em sua meditação, uma obra de Camille
Claudel no meio do apartamento existe unicamente
através de suas formas, assim como essas
curiosas rochas colecionadas pelos chineses, como
um tipo de monumento do pensamento interior, o
tufo de um tema proposto a todos os sonhos. Ao
passo que um livro, por exemplo, somos obrigados
a ir buscá-lo nas prateleiras de nosso
armário, uma música, a tocá-la,
ao contrário, a peça trabalhada,
de metal, ou de pedra, exala de si mesma seu encantamento,
e a casa inteira é por ela penetrada". (Paul Claudel)
Seu pai, porto-seguro de Camille, morre em 3 de
março de 1913.
A eclosão da Primeira
Guerra Mundial levou-a a ser transferida para
Villeneuve-lès-Avignon, onde Camille Claudel
passou os últimos trinta anos de sua vida
e lá morreu, em 1943, sem nunca ter recebido
a visita de sua mãe.
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